Convênios FDSBC: Amplie suas vivências com intercâmbio

Estudar no Exterior é o sonho de muitos estudantes. Poder entrar em contato com um universo novo, com culturas distintas e possibilidades de agregar conhecimento e experiências de vida.

A Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, por meio dos Convênios, firma parcerias com importantes universidades internacionais como forma de proporcionar o intercâmbio cultural e experiência de estudos para o corpo docente e discente da instituição. Além das atividades acadêmicas, há realização de palestras e workshops com a participação de profissionais de universidades internacionais.

A FDSBC já intermediou a ida de estudantes a Universidade  Messina, além do Pós-Doutorado de docentes da Faculdade. Veja as matérias na área de Convênios.

A Direito São Bernardo está com o processo de registro de interesse aberto para intercâmbio na Universidade de Torino.  Acesse aqui as informações.

Conversamos com a aluna Giovana Dal’Acqua De Angelis , estudante do 4º ano que esteve Università degli Studi di Torino.

Confira:

Qual sua série atual? Em qual ano estava quando realizou o intercâmbio?

Atualmente estou cursando o 4º ano, 7º semestre. Na época do meu intercâmbio tinha acabado de finalizar o 3º ano e estava prestes a ingressar no quarto.

Qual o período de realização do seu intercâmbio?

E em qual Universidade? Meu intercâmbio iniciou-se no início de fevereiro de 2020 e perdurou até a metade de fevereiro de 2021. Cursei Direito na Università degli Studi di Torino, em Turim, na Itália.

O que a incentivou a buscar a atividade?

Desde pequena sempre tive interesse em conhecer lugares e pessoas novas, acredito que entrar em contato com países e culturas diferentes, com suas diversas tradições e história, é valioso. Durante o Ensino Médio já queria fazer intercâmbio para poder vivenciar novas experiências fora do Brasil, porém não tive a oportunidade. Minha família é, em sua maioria, italiana, assim como a de muitos brasileiros, por isso sempre senti uma conexão muito grande com a Itália e com algumas das suas tradições. Eu já buscava meios de fazer intercâmbio por fora, através de outras instituições privadas, porém a São Bernardo proporcionou essa grande oportunidade de crescimento e aprendizado para nós alunos e eu soube que queria embarcar nessa aventura. A ideia de estudar Direito em um país que tem uma história tão complexa, com seus diversos filósofos e juristas, sendo Roma o berço do Direito Romano, me pareceu um privilégio. Aprender com professores italianos sobre o Direito Italiano e o Direito Europeu, poder estudar matérias tão diversificadas com colegas de outros países seria um sonho se tornando realidade, por isso não hesitei ao iniciar o processo seletivo com o Professor Luiz Guilherme.

Quais foram os aprendizados e desafios vivenciados?

Ao longo do ano, enfrentei diversos desafios, mas acredito que o maior deles foi sobreviver sozinha, em um país estrangeiro durante a pandemia do COVID-19. Ao final de fevereiro de 2020, quando eu já estava na Itália, iniciaram as notícias e os rumores sobre o vírus que estava tomando conta do mundo, na época eu não achei que as coisas tomariam as proporções que tomaram, sinto que tudo aconteceu muito rápido e eu tive que escolher entre voltar para o Brasil ou ficar na Itália. Acredite, eu não queria voltar, porém discuti as minhas possibilidades com meus pais, no início eles estavam apreensivos com toda a situação, mas deixaram à minha escolha. Este era o meu projeto e eu estava realizando um sonho, então decidi ficar e foi a melhor decisão que tomei. Mesmo assim, nos primeiros meses de março a junho fiquei em lockdown total em meu apartamento com a Catarina e a Laura, nós não nos conhecíamos, mas ao ficarmos em quarentena juntas rapidamente nos tornamos melhores amigas. Porém, não foi fácil, a insegurança, a incerteza, o medo e a ansiedade muitas vezes tomavam conta do meu dia-a-dia, superar tudo isso e ter esperança de que as coisas melhorariam foi um desafio enorme que venci. Aprendi também a me defender, defender o Brasil, nossa cultura e nossa história. Muitas vezes, foi difícil ouvir certos comentários carregados de estereótipos, julgamentos e ignorância vindos de colegas da Roménia, da Bulgária e até mesmo da Argentina, e me sentia na obrigação de ensinar, explicar e tentar corrigir estes pensamentos, mas a gente aprende que não é todo mundo que quer ouvir ou entender, muitas pessoas não têm suas mentes abertas, não querem discutir sobre os efeitos da colonização e sobre a diversidade que temos em nosso país e coube a mim compreender as limitações e valorizar nosso país.

Quais são as principais diferenças no ensino do Direito entre Brasil e Itália?

Na Itália o sistema universitário de ensino é bem diferente do brasileiro. As provas valem até 30 pontos com mínimo de 18 pontos para aprovação, além disso, nós fazemos somente uma prova por semestre que computa a matéria toda ensinada durante o curso. E também, nós podemos refazer a prova em uma nova data no caso de reprovação.

Existe a possibilidade de estudar a matéria novamente e fazer a prova em algumas semanas ou meses em uma data futura. Além disso, nós montamos nossa própria grade de provas, nós escolhemos as datas dos exames para cada matéria o que facilita muito na organização e nos estudos.

Um diferencial no sistema italiano é o fato de que eles utilizam muito a prova oral, dependendo do professor você é obrigado a fazer a prova oralmente, como foi meu caso ao cursar International Arbitration com meu professor da Finlândia. Já outros professores nos dão a possibilidade de escolher entre prova oral e prova dissertativa, como meu professor de Corporate Law. Mas acredito que a maior diferença é estudar Direito com o sistema do parlamentarismo e com a influência constante da União Europeia. Ao estudar Diritto dell’Unione Europea durante meu segundo semestre pude notar a importância do Tratado da União Europeia e do Conselho Europeu nos litígios e decisões do Parlamento Italiano, como as atitudes dentro da Itália podem afetar todo o sistema e até mesmo a moeda dos países da UE, o Euro. Foi interessante poder aprender Direito em um país que possui um ordenamento jurídico que é tão diferente do nosso, com sua estrutura bicameral, uma vez que é composto de duas câmaras com funções idênticas o Senado da República e a Câmara dos Deputados, mas que mesmo assim tem grande influência em todo o mundo jurídico, inclusive dentro do Brasil.

Alguma dica para quem tem o sonho de estudar no Exterior?

Só vai. É a maior dica que eu posso dar, só vai. Se a pessoa tem a oportunidade, os meios, o apoio e o incentivo de seus familiares e amigos não tem porque questionar! Fazer intercâmbio é um desafio, a gente se encontra enfrentando todo tipo de situação, desde lidar com as aulas, professores e métodos de ensino até lidar com julgamentos, estereótipos e ignorância, é um aprendizado constante. Sinto que durante meu ano na Itália eu pude enxergar a vida de uma maneira muito diferente, aprendi a dar mais valor ao tempo, abri minha mente, mudei de opinião no mínimo umas quinhentas vezes, bati de frente com muita gente, fui mais vulnerável do que nunca, soube me valorizar e entendi que meus sonhos, minhas vontades e meu bem-estar estão acima de qualquer coisa. Se alguém tem sonho de fazer intercâmbio acadêmico e estudar fora, tem que estar pronto para entrar de cabeça e entender que não será fácil, ficar longe de casa, do conforto do nosso lar, dos nossos familiares e amigos e da nossa rotina não é tarefa simples, mas acho que essa é a beleza e é um dos objetivos de viver essa experiência, sair da bolha, entender que errar e sofrer fazem parte do processo de crescimento, e se eu pudesse, eu viveria tudo aquilo de novo.

 

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