Direito São Bernardo recebe sobrevivente ao holocausto para Aula Aberta

No dia 28 de setembro de 2019, foi realizada a Aula Aberta do módulo Refugiados do curso de Pós-Graduação em Interfaces das Diversidades. Os convidados foram o Sr. Andor Stern, sobrevivente ao holocausto, e seu biógrafo e historiador, Gabriel Davi Pierin. O tema da palestra foi “Uma Estrela na Escuridão: O Relato de um Sobrevivente ao Holocausto”, atividade que fez parte da programação do Setembro Amarelo.

Gabriel Davi Pierin, autor da biografia de Andor, deu início à palestra falando sobre a importância de tratar deste assunto. “Muitas vezes a gente fala do holocausto como um fato da história, como algo que aconteceu há muitos anos. Hoje vamos falar não só de um evento passado, mas como a gente pode aprender com ele também”, comentou.

Sr. Andor contou sobre sua família e seus primeiros anos. Filho de húngaros, ele nasceu em São Paulo, mas saiu do país ainda pequeno. “Eu tinha dois aninhos quando meu pai arranjou uma transferência pro outro lado do mundo, porque onde ele trabalhava a minha mãe não podia ficar”, explicou.

Ele foi para a Hungria, quando seu pai foi transferido para a Índia, e lá passou sua infância. Desde essa época já conhecia o bullying de seus colegas. “Eu, judeu, era cuspido, afastado de determinadas brincadeiras, às vezes apanhava, mas vivia feliz como qualquer garotinho”, disse Andor.

Foi levado para Auschwitz quando tinha 14 anos, separado de sua família, e selecionado para o trabalho. Trabalhou um tempo em uma fábrica de gasolina artificial, mas passou por vários campos de concentração antes de ser libertado em 1º de maio de 1945 pelo exército americano, aos 17 anos, e pesando apenas 28 kg.

E apesar de toda a angústia, revela que isso o fez apreciar ainda mais a vida após sua libertação. “Vocês nunca imaginariam o que vale uma escova de dente, um papel higiênico, um sabonete, uma toalha limpa. Por isso que cada dia que eu vivo, pra mim, é uma sobremesa.”, declarou. “Minha filosofia é que eu não vivo os últimos anos da minha vida, eu vivo os primeiros que me restam”

Hoje, com 91 anos, diz não sentir raiva da época que era prisioneiro. “Em tudo sou recompensado. Eu tenho uma família maravilhosa, ontem fiz 65 anos de casado, tenho netos e bisnetos. Eu vejo que tudo que eu perdi eu ganhei de volta”, concluiu o Sr. Stern.

Confira o vídeo na íntegra e a galeria:

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